terça-feira, 28 de abril de 2015

CÂNION DO RIO POTI


O Cânion do Rio Poti é um fenômeno criado pela passagem do rio por uma fenda geológica na serra da Ibiapaba entre os estados Ceará e o Piauí. O principal acesso a este espetáculo da natureza tem como portal as cidades de Castelo do Piauí e Buriti dos Montes todas no estado do Piauí. Sempre tive curiosidade de conhecê-lo, entretanto sabia que para tal vários aspectos teriam que conspirar a favor do meu desejo.
Devido ao seu difícil acesso e a quilômetros luz do trade turístico o Cânion é pouco conhecido até mesmo dos piauienses, o que talvez garanta sua preservação assim como a natureza o concebeu. Sim não existe estrada de acesso pavimentada, hotel, sinal de celular, pousada, wi-fi, hostel ou afins, não há energia e tão pouco banheiro.

Querem saber de quem foi essa idéia de escalar um paredão gigante e saber quem foi o verdadeiro Heroi nesta história, acompanhe a narrativa de minha visita junto com alguns bons amigos ao cânion do Rio Poti.

O INÍCIO...
Meses atrás no “cadê meu troco” ( bar de fortaleza freqüentado por motociclistas ) Evandro Lima, um “curtidô” das coisas boas de pachamama nos chamou ( eu, Augusto Rocha, Pablo Melo e Luiz Almeida) para remar de caiaque o Rio Poti, uma vez que já o fizera com amigos de Teresina e como bom amigo resolveu compartilhar. Convite de imediato aceito. Evandro e seus amigos de Teresina organizaram tudo, aluguel dos caiaques, suprimentos e água para 3 dias e fez também contato com a fazenda Enjeitados onde passaríamos a primeira noite. Quero aqui deixar ao amigo Evandro meu agradecimento e reconhecimento ao esforço em nos proporcionar tal experiência. Foi tudo perfeito!
PRIMEIRO ABASTECEIMENTO APÓS A CHUVA

AUGUSTO TROCANDO AS MEIAS ENCHARCADAS



Como toda viagem de moto sempre há desistências e desta feita Pablo Melo e Luiz Almeida foram seus protagonistas.......e quando pensei que estava quase engrossando essa fileira, pois como disse a viagem era de moto, e eu havia colocado a minha a venda e tão pouco queria viajar mais de 1000km de asfalto em uma tenéré 250 (nada contra, aliás um puta moto) foi ai que o amigo Augusto Rocha dá uma de suas rochices ( adjetivo de quem é assim como Augusto Rocha) e com o desprendimento e amizade que lhe é nato resolveu me emprestar sua Kawasaki ERn650.

E foi como ela e com uma GS800 Adv que partimos dia 24/04/15 às 5:00 am em ponto sob uma chuva fortíssima com o destino a Castelo do Piauí 620km de fortaleza via tianguá, escolhemos este roteiro pois não queríamos pegar estrada de terra (via Crateús) uma vez que desconhecíamos seu estado. (depois soubemos que está transitável).

Acho que minha viseira está com algum problema(penso comigo mesmo no capacete) pois a água não escorregava por ele o que me dificultava muito a visão e somado a isto ainda o fato de estar me adaptando a “nova” moto, fiz umas curvas tão quadradas que até o Fred Flindstone se abriria de mim. Mas assim como o mal tempo minha convivência com a moto melhorava a cada curva e por fim já estava plenamente adaptado. Moto rápida e divertida.



FAZENDA ENJEITADO

 

Por volta de 12:30hs da tarde chegamos em Castelo e nos juntamos a Evandro e seus amigos Valdo(de luxe – depois peçam para o Evandro explicar o pq da alcunha ) , Maurício (negão -  o guia da trupe), Paulo (motorista e dono do Jipe e de tudo mais que é apetrecho que se possa imaginar para camping) e Eduardo ( dono da Teneré 250 mais rápida do oeste) e os também motociclistas Verô e Willy (infelizmente deixou sua GS800 em Teresina por conta de um problema de última hora com o pneu).

                Almoçamos um PF honesto em Castelo (eu e Augusto) e em seguida fui logo perguntando ao Evandro se a Kawa chegaria na fazenda que ficaríamos a primeira noite que ficava a uns 50km de distância de Castelo do Piauí através de uma trilha..........e ele balançando a cabeça disse que não e ainda bem que não fui com ela pois sairia com uma 650cc e chegaria lá apenas com uma 300cc. Temendo uma trilha invocada Augusto pediu, (o que considerei mais uma Rochice) para eu levar sua GS800adv fiquei impressionado, mesmo carregada a moto é mmmmuito equilibrada. De moto também estavam Evandro ( gs 800) , Verô e Eduardo ambos de tenéré 250 os outros foram todos no Jipe.


 
Chegamos na Fazenda Enjeitados umas 15:30hs fomos muito bem recebidos pelos vaqueiros da fazenda e tratamos logo de comprar um dos carneiros da criação da fazenda para o jantar de sexta e almoço de domingo. Não sei se era a fome mas ambas as refeições estavam espetaculares. ( carneiro deu 17kg). Armamos nosso acampamento no alpendre da fazenda. Paulo trouxe uma barraca que foi logo apelidada de “suíte presidencial” a bicha praticamente se auto montava, o resto dos mortais se dividiam em redes e barracas comuns.

 

 
Fazenda a noite, sem energia, traz cores, cheiros e sons que para mim tem o tenro gosto da infância e assim foi meu adormecer, claro que vez por outra outros sons e cheiros me traziam de volta a realidade era peido e ronco muito kkkkkk mas dormi bem.
 
 
 
Como não havia local para banho (leia-se chuveiro) a alternativa ficava por conta de um riacho que distava 1,5km da sede da fazenda para onde dirigiram-se todos cada um a seu tempo, uns foram de moto e outros a pé. Eu e Augusto decidimos ir a pé e logo no começo da caminhada descobri que o nobre amigo é alérgico ....... Aí, hum filha da P !!!! Que foi? Perguntei – O Cansanção me pegou, disse ele......Vixe foi mesmo kkkkkkkkk Mas não se fez de rogado trincou os dentes e disse “ Mas ele vai é se lascar comigo, vou matá-lo de desgosto.... coço é porra!!! Me arrependi de não ter ido de moto voltei suado rsrsrs


 
 
Após o Café seguimos todos de Jipe para o local onde começaríamos nossa remada e nosso primeiro encontro com o Cânion, neste caminho eu e Evandro atrelados ao Jipe também fomos agraciados com um lapada de cansanção nas pernas o que valeu uma baita e quilométrica gargalhada (daquelas que dobram) do Augusto, que ria como que se vingasse. Levamos mais de 1 hora para retirar os caiaques, equipamentos e suprimentos do jipe. Um pequeno bote a motor levou Paulo e Eduardo(esse como timoneiro) e toda nossa tralha ao nosso acampamento no meio do Rio Poti. Comecei a remada em um Caiaque duplo que dividia com o amigo Verô que após um tempo começou a reclamar de uma dor nas costas o que o fez passar para o barco...” meu negócio é mesmo com bicho que tem motor”e deu aquela já conhecida boa gargalhada, levou seu tempo embarcado a apreciar o cânion e a“fazer hora” com o esforço dos remantes.








PAULO MAGAIVER RSRSRS

EDUARDO ADVENTURE


 

 
 
Seguimos remando com Maurício (guia por vocação) nos mostrando com esmero os detalhes de cada reentrância de “seu”  Cânion.  Quando meus ombros já ardiam de esforço chegamos no acampamento...graças á deus!    



 
                Ajudamos a retirar toda a tralha do barco de apoio e começamos a montar acampamento. O barco que nos serviu de apoio cabia 4 pessoas ou 300kg e seu motor era estilo rabeta, pois devido a quantidade de pedras, mato e redes de pesca é o único que se adapta a essa situação pois pode ser levantado rapidamente e sua hélice fica na flor da água, mas sua velocidade é bem baixa.
 

                                                                                                 VALDO SEMPRE AJUDANDO...
 
                O acampamento foi armado em uma grande fenda (caverna) que fora cavada naturalmente pela força do rio. Tinha especial preocupação quanto a este acampamento pois havia levado só rede( a mesma que levei para a Amazônia, que aliás fez maior sucesso entre os amigos por ter já no seu corpo um mosquiteiro acoplado) e temia não haver onde armá-la, temor este logo dissolvido quando vi vários paus e até armadores chumbados na rocha o que evidencia o uso freqüente deste acampamento, não por turistas mas por pescadores locais, que infelizmente não tem a cultura de não sujar o rio pois vimos vários detritos no local, o que foi corrigido por nos ao levantar acampamento no domingo. 
 


 
                Por conta do acumulo de calor na pedra o inicio da dormida no acampamento é bem quente e seu clima só vai melhorar lá para dez da noite.

 
 

Todos deixamos o acampamento por volta das 9:30hs am  estava com o ombro doendo( tenho um ombro q fora deslocado tempo atrás que “pia” quando o exijo em demasia.) e resolvi ir no barco fazendo coro com Verô nas gozações em cada ultrapassagem aos remadores esbaforidos rsrsrsrs bom demais.

                Diferente do Cânion do São Francisco onde também já naveguei achei, esse por demais bonito, por ser mais estreito a proximidade de suas paredes permitem maior visualização de cada detalhe. Embora o Cânion do Rio São Francisco permita grande navegação e suas cavernas são um espetáculo a parte, que merece em muito ser visto.

                Quase no final da navegação e já bem próximo da cachoeira da lembrada um grande desabamento de pedras impede que continuemos nossa navegação, foi ai que Negão teve a brilhante idéia de sugerir que voltássemos 1,5km que ele conhecia um lugar perfeito para escalarmos o paredão e de lá era só caminhar uns 3km que estaríamos nos banhando na cachoeira. Paramos no ponto sugerido pelo nosso guia e quando olhei para cima comecei a pensar comigo mesmo algo do tipo “rapaz quem já viu uma cachoeira viu todas” pensamento engrossado pela voz de um amigo ( prefiro não declinar o nome) ao lado exclamando “ subo é porra! Kkkkkkk

                Eu subo! Bradou Willy, se vocês me ajudarem, e foi assim e só para confirmar ser o mais forte de todos, que o sessentão Willy que tem uma das pernas mais fraca do que a outra, provou que era o mais forte de todos, ou então era a prova viva da máxima que diz que todo motociclista é meio doido rsrsrsrs.

                Todos já lá no alto e em segurança graças as orientações do Maurício negão, fomos conhecer mais uma cachoeira das inúmeras que já vi, mas essa teve um gosto especial devido sua dificuldade de acesso e do calor do cão. Passamos mais de uma hora tomando banho lá.

 


 
 
 
Na volta compreendo plenamente porque os gatos (os inexperientes) empacam em cima das árvores. Meu irmão olhar aquele paredão de cima e não ver onde por o pé para descer foi de dar medo ( alias teve muita gente que tremeu mesmo kkkk). Não tínhamos qualquer equipamento de escalada a não ser uma corda improvisada amarada debaixo do suvaco, mas depois de muitas explicações de Maurício que teve que subir e descer umas duas vezes só para mostrar o caminho, todos o fizemos sem maiores perrengues. Na volta Willy me pediu para voltar remando junto em um caiaque duplo com Evandro pois queria ir no barco o que de pronto aquiesci. Confesso que já estava cansado e se estivesse remando sozinho iria demorar no mínimo o dobro do tempo.........Evandro é um verdadeiro motor de polpa kkkkkkk.


 
 
 

Almoçamos(e jantamos) uma boa Macarronada feita pelo Evandro tendo como auxiliares eu ( somente cortando cebola e tomate) e os amigos Valdo e Eduardo(esse também dividia com Paulo função de Magaiver). Todos de bucho cheio o silêncio pairou por pelo menos uma hora. Até que alguém (rsrsrs eu mesmo) gritou “ Evandro cadê aquela cachaça?” Nunca vi 1 litro e meio de cachaça evaporar tão rápido. Paulo tinha levado tudo que se possa imaginar para acampamento: Mesa, cadeiras, facas, lanternas, luzes para iluminação do acampamento......tudo daquele tipo de coisa que quando está desmontado parece que cabe em uma caixa de fósforo. Só a luz artificial não caiu bem por conta dos mosquitos mil, foi quando preferimos a luz da lua mesmo. Cachaça acabada, muita risada dada e todos foram dormir ou tentar porque Paulo tentava a todo custo nos manter acordados a toque de tambor(improvisado de um isopor)  e lanterna na cara rsrsrs e Foi em uma dessas lanternadas que ele focou no rio um Jacaré.
                Pronto todos estavam alertas e querendo ver o Walygator rsrsrs e ficamos um bom tempo nessa, até que negão munido de uma coragem daquelas que o cabra só tem quando está acuado disse “ eu vou lá é pegar esse bicho é com a mão”  e se arrumou prá pegar o caiaque com sua lanterna “ Tu é doido é macho” ouvi alguém dizer, mas foi em vão e ele partiu em direção aos dois pontos de luz ( os olhos do jacaré quando focados por uma luz brilham bastante no escuro) armado só com uma lanterna. Por alguns minutos não vimos nem o negão nem tão pouco o jaca.......quando começava a crer que tinha dado merda, a nave mãe (uma das lanternas de Paulo capaz de “incadiar” até disco voador) focalizou nosso herói, muito puto balançando a cabeça e dizendo que o bicho havia escapado por pouco........não sei qual dos bichos o homem ou réptil kkkkkkkk.
EU E CAÇADOR DE JACARÉ MAURÍCIO
 

Lá por volta das 4:30hs me acordei, ainda estava escuro ( costumo dormir muito tarde e 10hs para mim é como se fosse 7hs) me dirigi a um lugar guardado na memória com bom pra uma boa mijada, e pooow tá lá um corpo estendido no chão, me papoquei em um buraco e cai na água. O rio tinha subido o nível durante a noite e o que guardara na memória não era mais a expressão da verdade, fiquei puto! E pelo que percebi não era o único acordado e aceitei bem as gozações rsrsrs.  

                Um momento pitoresco era ver, vez em quando, um rolo de papel higiênico ser convidado para passear( bem amarrado ) de caiaque no rio, e quem convidava o fazia assim de mansinho como quem quer namorar escondido.........mas o pior é que sempre tinha um espírito de porco que perguntava em ALTO e bom tom “ VAI CAGAR É? “ Tem certas coisas que quebram o encanto kkkkkkkkkkkkkkkk.

                Tudo pronto e arrumado para ir embora saio em um caiaque individual bem devagar como que desse adeus aquele espetáculo da natureza aliás percebo que todos sem nenhuma combinação estavam fazendo mesmo. Chegamos a margem e com muito esforço arrumamos todos os caiaques e barco no reboque e nos dirigimos a fazenda onde já nos esperava o almoço, mas antes passamos em um riacho para tomar um banho, peeeense num banho bom.

 

Augusto resolveu voltar pilotando sua moto e eu voltei no jipe escutando as boas histórias do Willy e do Paulo. Por conta do horário já avançado resolvemos ao invés de retornar a Fortaleza ir dormir em Teresina. Foi o mais acertado pois viajar a noite nessas estradas é pedir pra abraçar um jumento. Chegando em Teresina nos instalamos em um hotel perto da estrada e fomos visitar o Pai e a Irmã de Augusto Rocha e na volta fomos a casa do Eduardo para saborear um mega churrasco com merecidas cervas oferecidas pelo anfitrião, melhor maneira não há de encerar um aventura brindando com velhos e os novos amigos.

                Saímos de Teresina às 7hs em ponto sob forte neblina. ( vc disse forte neblina?) Sim daquelas em que todos os caros tinham que acender os faróis. Passo agora a acreditar que esse clima anda “mei doido” mesmo. Chegamos em fortaleza sem sustos no horário de almoço. Algo me diz que o encontro dessa turma vai parir mais novidades...........

 
 
 

 
 
 




 



4 comentários:

Anônimo disse...

Só tenho uma coisa a dizer: Du Caraiiiiiii esse passeio/aventura! Parabéns aos participantes e ao Marcelo pelo texto alegre e farto em fotos que me ajudou a passar o tempo enquanto aguardo o avião aqui em Brasília! Quem sabe na próxima.....
Abraços, Joarez

Evandro Lima disse...

Show de bola Marcelão, excelente narrativa e ótimas imagens..o espírito é esse!
Foi um prazer ter os amigos de Fortaleza nessa trip, menção honrosa para o wyle, guerreiro!
Grande abraço e que venha a próxima!

Luiz Almeida disse...

Muito bom, Marcelão. Deixou em mim aquela sensação : devia ter ido!

Luiz Almeida

bas ketball disse...

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